A história brasileira é cíclica, mas os métodos de certas redações parecem estagnados em um passado golpista que insiste em assombrar o presente. O que assistimos hoje não é jornalismo de fiscalização, mas uma ofensiva coordenada de uma mídia que, incapaz de aceitar a soberania popular, resolveu cavalgar a galope no autoritarismo para tentar deslegitimar a figura do operário que ousou — e conseguiu — chegar à Presidência da República.
O combustível dessa máquina de moer reputações é o preconceito de classe purificado em verniz editorial. Para os “senhores do engenho” que ainda controlam grandes conglomerados de comunicação, o crime imperdoável não é a corrupção ou a má gestão, mas a origem. É a recusa em aceitar que alguém que conhece o sabor da fome possa ditar os rumos de uma nação que eles sempre consideraram seu quintal particular.
Ilações como Método, Anonimato como Escudo
O “modus operandi” é conhecido: suposições são elevadas ao status de verdade absoluta sem a apresentação de uma única prova objetiva. Valendo-se da prerrogativa do sigilo de fonte — que deveria servir para proteger a democracia, e não para acobertar mentiras —, parte da imprensa brasileira destila ilações de toda ordem.
Desde a suposta gravação de reuniões ministeriais fechadas até a narrativa fantasiosa de que o Presidente teria ordenado a “fritura” de aliados para o STF, o que se vê é uma ficção política desenhada para incendiar a República. São línguas de aluguel que, em vez de informar, cumprem o papel de capitães do mato do século XXI, caçando qualquer vestígio de justiça social que possa ameaçar os lucros da burguesia econômica.
A Cumplicidade Histórica com o Retrocesso
Não se pode esquecer que essa é a mesma mídia que serviu de sustentáculo ao golpe de 1964 e que, mais recentemente, atuou como cúmplice editorial no ensaio de 8 de janeiro. É lamentável observar profissionais de gabarito, nomes outrora respeitados, transformarem-se em peças de engrenagem do fascismo por puro rancor político. Eles preferem o flerte com a ditadura e o caos institucional a conviver com a liberdade democrática sob o comando de um representante do povo.
Elite do Descarte e a Fome do Povo
Enquanto as redações fervem em complôs contra o Palácio do Planalto, a realidade fora das bolhas de ar-condicionado é cruel. Num país onde o povo ainda enfrenta a insegurança alimentar, a elite cospe no resto de comida jogado ao chão. Para essa elite, a democracia só é útil enquanto serve aos seus interesses financeiros; se o resultado das urnas não lhes agrada, o caminho escolhido é o da sabotagem.
A mídia golpista cumpre, assim, o seu papel histórico: o de articuladora contra a democracia. Ao tentar vingar-se do operário presidente, eles não ferem apenas um homem, mas apunhalam a própria Constituição e a vontade de milhões de brasileiros. Resta saber até quando o jornalismo será sacrificado no altar do ódio de classe, preferindo deitar-se com tiranos a aceitar a igualdade de um Brasil plural.


